A infância é um terreno fértil
- Daniela Delias

- 6 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Na infância a gente aprende que o chão é duro, mas que é possível levantar e seguir correndo, porque faz parte da brincadeira. Curioso é que, mais tarde, conforme o tempo anda lado a lado, tentam nos convencer de que errar é proibido, como se a vida não estivesse recheada de outros mil tropeços.
Winnicott, um psicanalista britânico, abordou brilhantemente a importância de um ambiente suficientemente bom, onde uma criança pode experimentar, falhar e, ainda assim, se sentir segura, já que é na infância que se encontra o terreno mais fértil para errarmos e aprendermos. É lá o lugar em que se pode descobrir que virar suco na mesa não machuca ninguém, que quebrar um copo não é motivo para brigas, que desconhecer algo é o primeiro passo para, na verdade, poder conhecer.
Quando falamos em criar com afeto e respeito, surge uma pergunta importante: o que fazer quando a criança nos frustra? Essa frustração possivelmente nos remete a quando nós, bem pequenininhos, frustramos nossos pais, que ainda não tinham recursos para acolher nossos erros. Vygotsky defendia que o erro é um elemento constitutivo da zona de desenvolvimento proximal. Em outras palavras, é justamente no tropeço que a criança aprende, porque conta com a mediação de alguém capaz de orientá-la para caminhos mais adequados. Assim, quando reconhecemos que errar — sobretudo na infância — é algo natural e até benéfico, abrimos espaço para ressignificar as situações em que não fomos compreendidos ou não conseguimos compreender.
Além disso, Piaget, outro importante psicólogo, nos lembra que o errar é uma lógica em construção, não uma falha. Ele lembrava que, quando uma criança diz que a lua a segue, não está enganada, está apenas revelando sua lógica de ver o mundo naquele momento. O erro é um mapa, um guia, não um desvio do caminho. A questão entra em cena quando, conforme crescemos, vão nos roubando o direito de errar, dando a entender que não faz parte da vida, quando, na verdade, é a coisa mais comum que fazemos.
Eu quero me tornar mestre em errar, errar logo, o quanto antes e saber lidar com tudo que o erro me traz, para que assim eu não tenha medo de tentar de novo e de novo e finalmente chegar em lugares bons e aprender diferentes formas de viver. A vida não precisa ter um peso a mais por não seguirmos um script.







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