Entre irmãs
- Daniela Delias

- 17 de jul. de 2025
- 3 min de leitura

Quando você chegou em nossas vidas eu ainda não entendia o mundo à minha volta. Também não compreendia o que é ser irmã, muito menos o que é ser irmã mais velha. Fomos crescendo e aprendendo o significado dessas palavras juntas, cada uma à sua maneira. Eu tinha a visão de que precisava te cuidar e te proteger, mas não imaginava que eu também poderia ser cuidada por você. Sempre fomos muito diferentes, você sempre cheia de atitude e eu um pouco mais tímida e receosa com o mundo. Mesmo com divergências, nossa convivência era melhor do que poderíamos imaginar.
Tínhamos nossas brigas, muitas vezes por conta de um refrigerante que, na sua percepção, estava mal dividido enquanto eu insistia em dizer que a quantidade estava igual para as duas. Hoje em dia esses momentos me arrancam risadas sinceras.
Engraçado falar sobre ser irmã, porque ainda sinto que não sei tudo, mas que sei o essencial. Ser sua “mana” me mostrou que, em muitos momentos, tudo que preciso fazer é sentar do seu lado e oferecer meu ombro para você chorar. Ou aprender coreografias para gravar um único vídeo que depois você mesma iria julgar e rir comigo. Não existe um passo a passo de como ser irmã, afinal as experiências são diferentes para cada um de nós. Podemos dividir lembranças e experiências, mas cada laço de irmandade se cria de um jeito único.
Recordo da sua primeira semana na escola, você estava cheia de energia e só queria brincar. Não olhou para trás e nem chorou, e eu admirava sua coragem. Lembro de ir até sua sala sempre que começava o recreio, para ver se você estava bem ou com saudade da mamãe, mas na maior parte do tempo você estava pintando algo ou brincando com teus colegas.
Quando cheguei à adolescência, fomos nos afastando. Mudei de colégio e aquele hábito de irmos juntas para a escola foi acabando. Eu sentia falta das nossas conversas pela manhã e de voltarmos juntas para casa. Aos poucos fomos ficando desconectadas. Mas, quando comecei a estudar para o vestibular, você estava lá. Você procurava me fazer rir, e eu sentia que tinha um ombro pra chorar, alguém para contar naquele momento conturbado. Foi aí que percebi como ser irmã é algo fascinante. Senti a troca de papéis: agora você também cuidava de mim, sabia das minhas fraquezas e de como eu me cobrava quando as coisas não saiam como o esperado. Quando o resultado final não foi como o esperado você segurou a minha mão e me ajudou a levantar. Nesses momentos, você não era “a caçula” e nem precisava da minha proteção. Você me ensinava sobre coragem.
John Bowlby, psicanalista inglês, tem uma teoria sobre como precisamos de uma base segura para seguir em frente de maneira saudável. Acho bonito saber que, na prática, ser sua irmã é justamente isso, a gente se faz de colo uma para a outra.
Já tentei imaginar como seria ser filha única, mas logo em seguida vem uma pontada de tristeza. Não sinto que exista, no universo — ou em qualquer multiverso — uma vida em que eu não seja sua irmã. Agradeço por nossas aventuras e por nossa parceria em momentos difíceis. Não importa para onde seu caminho te guie, sua irmã sempre estará aqui para você. Te vejo logo, minha irmã (mana)!







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