Iniciando a vida escolar
- Daniela Delias

- 24 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Recordo de estar muito nervosa em meu primeiro dia de aula. Não entendia por que precisava ir até aquele lugar, só queria ficar em casa brincando. Acordar cedo sempre foi uma dificuldade. Sabe aquele “só mais 5 minutinhos”? Eu usava como tática para convencer minha mãe de que eu não precisava levantar tão cedo para ir estudar, mas essa estratégia nunca deu certo, e hoje em dia fico feliz por isso.
Quando cheguei na escola, achei o prédio enorme, cheio de salas e logo pensei como seria fácil correr por entre as colunas, brincar de pega-pega ou só pular pelos corredores. O nervosismo tomou conta de mim só depois, quando fui conhecer meus novos colegas. Pairavam em minha imaginação muitos questionamentos: Por que eu precisava passar por aquilo? Por que minha mãe não poderia ficar ali enquanto eu brincava? Era um cenário, a princípio, assustador.
Nesse sentido, lembro de uma teoria do psicólogo americano Erik Erikson, que fala dos desafios que enfrentamos em cada fase do desenvolvimento. Como um jogo de videogame, para alcançar a próxima fase precisamos vencer o desafio que está sendo proposto naquele nível. No início da vida escolar, segundo Erikson, vivemos o conflito de Indústria versus Inferioridade, um período de comparação com os pares, mas também de aquisição de confiança em nossas habilidades e produtividades. Diante disso, percebo como foram difíceis os primeiros meses na escola. Mesmo com diversas atividades e muitas conversas com a turma, eu me sentia insuficiente. Parecia que os meus coleguinhas sabiam mais e aprendiam mais rápido. Porém, com o apoio dos da minha família, esse sentimento diminuiu. Hoje compreendo que cada criança, com o apoio adequado, encontra o seu caminho, e não é necessário ter pressa.
O ambiente escolar para uma criança é cheio de novidades e a maneira como ela lida com essas novas vivências pode influenciar no processo de desenvolvimento e deixar marcas para toda a vida. Nesse momento tão importante, ter uma base sólida, pronta para acolher e entender essas dificuldades, é de extrema importância, visto que na escola passamos por variados momentos, que podem ser bons e ruins. Sinto que minhas experiências nesse período foram carregadas de afeto e aconchego pelo fato de minha cuidadora estar sempre ao meu lado, e reconheço como isso moldou o ser que sou hoje.
Além disso, no espaço escolar muito vínculos importantes podem ser criados. É nesse espaço que costumamos conhecer nossos melhores amigos ou aquele primeiro amor, escolhemos o nosso professor favorito, aprendemos a ler, a escrever, e nos encantamos por vários assuntos. Essa comunidade é parte fundamental da sociedade: ao lado do ambiente familiar, apresenta-se como um contexto de desenvolvimento que nos ajuda a compreender o mundo.
Lembrar desse período traz memórias fantásticas e outras nem tanto, mas falar sobre educação é também lutar por ela. O que seria dos nossos pequenos sem os contextos educativos, formais ou informais? Como poderíamos conhecer a magia que, para mim, somente os livros podem trazer ou aquele momento tão prazeroso que é escrever nosso nome e deixar nossa marca? Pode ser mesmo difícil começar e em alguns momentos permanecer na escola, mas é preciso olhar para esse espaço das infâncias com afeto e compromisso, buscando aprimorá-lo continuamente.







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